Vantagens da vacinação
O diagnóstico depende do tipo de manifestação do vírus. Nos casos de infecção clínica podemos fazer diagnóstico a olho nu, ou seja, as lesões verrucosas são facilmente diagnosticadas, não sendo necessário nenhum outro tipo de exame Nas infecções subclínicas necessitamos de exames complementares como a citologia (exame de Papanicolaou ou Preventivo), histologia (biópsia) ou colposcopia (ampliação das imagens com auxílio de um aparelho especial denominado colposcópio) para o diagnóstico. ??
Nas infecções latentes todos os exames anteriores são normais. O diagnóstico pode ser realizado apenas pelos métodos de hibridização molecular do DNA viral. A positividade deste exame não quer dizer que a mulher irá manifestar a infecção, pois o organismo poderá eliminar o vírus antes mesmo dele se manifestar clinicamente. A prevenção dar-se através do:
- Uso do preservativo (camisinha) nas relações sexuais;
- Evitar ter muitos parceiros ou parceiras sexuais;
- Realizar exame ginecológico periódico (ideal a cada 6 meses).
- Realizar o exame de Papanicolaou pelo menos uma vez por ano.
É importante ressaltar que o uso do preservativo, apesar de prevenir a maioria das DST, não impede totalmente a contaminação pelo HPV, pois, freqüentemente as lesões estão presentes em áreas não protegidas pela camisinha (raiz da coxa, perianal, etc).Uma vez que as infecções pelo HPV nem sempre são corretamente diagnosticadas, existe uma alta frequência de recidiva após tratamento adequado e uma impossibilidade de prevenção em 100% dos casos com uso de preservativo, os pesquisadores começaram a estudar outras possíveis formas de prevenção. A exemplo do que aconteceu com outras infecções virais (sarampo, rubéola, poliomielite, hepatite B) o desenvolvimento de uma vacina contra a infecção HPV se mostrou promissor. Estudos em animais mostraram excelente eficácia. Vários ensaios clínicos tem demonstrado uma eficácia na prevenção das doenças genitais associadas aos HPV 6, 11, 16 e 18, tanto nos estudos da vacina monovalente (anti-HPV 16), bivalente (HPV 16 e 18) e quadrivalente (HPV 6, 11, 16 e 18) que variam de 95-100% para as lesões pré-cancerosas de colo uterino, vulva e vagina e para as lesões verrucosas (condilomas acuminados) em mulheres de 16 a 45 anos.
Estudo em adolescentes (meninos e meninas de 9 a 15 anos) demonstraram uma excelente resposta imunológica com altas concentrações de anticorpos por tempo duradouro, indicando sua provável eficácia também neste grupo.
Estudo em homens de 16 a 26 anos tem completado 3 anos de avaliação e em breve teremos os resultados de sua eficácia na prevenção dos condilomas e lesões pré-cancerosas e câncer da área ano-genital.
Vários centros de pesquisa no mundo estão avaliando a eficácia desta vacina. No Brasil existem também alguns centros e em Santa Catarina, o Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina desenvolve estas pesquisas desde 2002 (Centro de Pesquisa Clínica “Projeto HPV”).
A vacina anti-HPV é um produto manufaturado pelas técnicas atuais de engenharia genética. Produzida através do gen do HPV que sintetiza a cápsula do vírus em laboratório, a vacina anti-HPV (monovalente, bivalente ou quadrivalente) nada mais é do que a cápsula do vírus sem o conteúdo genético (portanto, incapaz de induzir infecção) que é inoculado no indivíduo para estimular a produção de anticorpos que irão proteger contra a infecção no momento do contato com o vírus.A vacina funciona estimulando a produção de anticorpos específicos para cada tipo de HPV. A proteção contra a infecção vai depender da quantidade de anticorpos produzidos pelo indivíduo vacinado, presença destes anticorpos no local da infecção e a sua persistência durante um longo período de tempo.
Não existe risco de infecção pela vacina. No desenvolvimento da vacina conseguiu-se identificar a parte principal do DNA do HPV que o codifica para a fabricação do capsídeo viral (cápsula viral - parte que envolve o genoma do vírus). Depois, usando-se células vivas como um fungo (Sacaromices cerevisiae),insetos ou bactérias obtem-se apenas a “capa” do vírus, que em testes preliminares mostrou induzir fortemente a produção de anticorpos quando administrada em seres humanos. Essa “capa” viral, sem qualquer gen em seu interior, é chamada de partícula semelhante a vírus ( em inglês, vírus like particle – VLP). O passo seguinte foi estabelecer a melhor quantidade de VLP e testá-la em humanos, capaz de prevenir as lesões induzidas pelos diferentes tipos de HPV.

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